domingo, 19 de setembro de 2010

Tudo era claro: céu, lábios, areias.
O mar estava perto, fremente de espumas.
Corpos ou ondas: iam, vinham, iam, dóceis, leves, só alma e brancura.
Felizes, cantam; serenos, dormem; despertos, amam, exaltam o silêncio.
Tudo era claro, jovem, alado. 
O mar estava perto, puríssimo, doirado..


Essa mulher.. 
a doce melancolia dos seus ombros, canta.
O rumor da sua voz entra-me pelo sono..
é muito antigo..
Traz o cheiro acidulado da minha infância chapinhada ao sol.
O corpo leve, quase de vidro...


Música, levai-me:

Onde estão as barcas? Onde são as ilhas
?



Eugênio de Andrade


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