terça-feira, 14 de setembro de 2010


Você sabe como eu sou despreocupada.. que me encerro neste quarto e me permito
todas as divagações, as fantasias.. obsessões, perseguições, todos os dias..
você sabe que eu me viro de inventos, que eu me reparto e dou crias..
que eu mal me resolvo e me aguento..
carrego pedras no bolso e enfrento ventanias.

Você sabe como eu sou desorientada.. raciocínio pelo instinto e cometo
fugas de túnel de ladra de galeria.. uso malhas e madras manhas e lenhas..
e percorro superfícies em que você escorregaria..

Mas você sabe como eu sou de subsolos.. de subterfúgios, de subversos subliminares
como eu sou de submundos subterrãneos, de sub-reptícias folias..
meio de circo, meio de farsa.. ervas, panfletos, fluídos, presságios..
quebrantos, jeitos, gírias, reviras.. de sensações e cismas, filosofias..





de como eu sou de estradas, andanças, pressentimentos..
atmosférica e vadia..
gato da noite, de crises, guitarras, ouros e danças e circunstâncias..
de vinho azedo e companhia.

Que eu sou de todas as misturas.. todas as formas e sintonias..
e enfrento esse aperto, essas normas, forças, pressões, imposições, 
o poderio.. os intervalos, o silêncio da maioria.

Você sabe de toda minha luta.. mesmo quando a intenção silencia..
que eu não cedo, não desisto.. a todo custo, a toda faca, a todo risco..
eu sobrevivo de paixão e de anarquia.

Você sabe bem de minha fraude..
Você conhece as minhas alquimias!..

( Bruna Lombardi - Gaia )

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